“Com 6 anos de seca, quem consegue contribuir com a previdência?”



O semblante de preocupação de Antônia Ivoneide, 54 anos, é notório em meio às marcas de expressão em seu rosto – essa, consequência do árduo trabalho sob o forte sol do interior do Ceará. Já a apreensão é motivada por outro fato: o medo de que as futuras gerações de trabalhadoras e trabalhadores do campo percam o direito de se aposentar, caso seja aprovada a reforma da Previdência de Jair Bolsonaro.

A categoria, de fato, está entre as mais prejudicadas pelo pacote de maldades que tramita na Câmara dos Deputados.
Se não bastasse o aumento da idade mínima para as trabalhadoras rurais, de 55 para 60 anos, igualando-a à exigência já imposta aos homens do campo, as novas gerações deverão, necessariamente, contribuir com o INSS (pagar) por pelo menos 20 anos para que consigam se aposentar, se o Congresso deixar passar a reforma de Bolsonaro.

Para Antônia, a regra vai tirar esse direito de milhares de seus futuros companheiros. A dura realidade do sertão cearense é o que lhe dá a convicção.

“Este ano agora está superando seis anos de seca. Seis anos de seca são seis anos sem ter produção. São seis anos sobrevivendo com Bolsa Família e com a produção que mal dá pra comer. Tem mês que a gente não tem cinco reais, como vai ter cinquenta para pagar previdência?”, questiona

Pela legislação em vigor, os trabalhadores rurais ficam assegurados em situações como essa, desde que comprovem que moram e trabalham no campo.

As mudanças, se aprovadas, valerão para os jovens que começarem a trabalhar após a entrada em vigor das regras. Para quem tem entre 16 e 35 anos, há critérios de transição.

Sobre o aumento da idade mínima, Antônia diz que o governo Bolsonaro ignora as peculiaridades do trabalho feminino no campo.

“A gente, que começa a trabalhar muito cedo, está sendo prejudicada. Não estão reconhecendo como é a vida das mulheres trabalhadoras rurais”, aponta.

Mesmo não sendo diretamente afetada pela reforma, por conta de sua idade, a consciência de classe e a militância no Movimento Sem-Terra inspiram Antônia a lutar contra a reforma.

Não à toa, sua manifestação foi uma das que mais tocou outras centenas de trabalhadoras e deputadas de 11 partidos, que se reuniram no Ato das Mulheres em Defesa da Previdência, na Câmara dos Deputados.


Fonte: Forum

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