Se Flávio Bolsonaro matou Marielle, ‘vou sentir orgulho’, diz bolsonarista



Com a suspeita do envolvimento do senador Flávio Bolsonaro (PSL) na morte da vereadora e socióloga Marielle Franco (Psol), no Rio de Janeiro, um ex-estudante da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Rayner Raitz da Silva, que mora em Manaus, teve um post viralizado na internet, após afirmar que “sentiria mais orgulho” do filho do presidente Jair Bolsonaro (PSL), se fosse confirmada a ligação dele com o assassinato da parlamentar.

“Se o filho do Bolsonaro tem envolvimento na morte de Marielle. Só posso sentir mais orgulho desse cara. Valeu Flávio! Matou aquela mulher chata do c…”

O post do ex-estudante do curso Engenharia Mecânica da Ufam causou revolta em parte dos internautas e apoio de outros, oriundos de vários estados do país. Em duas horas, ele apagou a mensagem de “apoio” a Flávio Bolsonaro e fez um novo texto.

Na outra mensagem, o jovem admite que não gostava da vereadora, mas não explicou o motivo. “Peço desculpas à comunidade que segue e considera a vereadora. É uma pena eu não gostar dela, respeito quem admira ela. (…) Estou ciente das minhas frases polêmicas…”





Ameaças

Em outro trecho, Rayner diz que pedirá investigação das ameaças feitas contra familiares deles em função do comentário de ataque à vereadora assassinada. “Repudio qualquer ameaça que já fizeram aos meus familiares. Estas ameaças serão investigadas…”

A reportagem tentou contato com Rayner e parentes, mas não obteve retorno. Amigos informaram que ele aparenta não possuir qualquer problema de ordem psicológica, mas que gosta de demonstrar aversão a determinadas ideologias partidárias.

O rapaz disse ainda, no post, que “não tem passagem pela polícia” e que sempre estudou. “(…) eu sempre procurei estudar para mudar minha vida. Foi uma frase infeliz sim. E estou a disposição das autoridades para esclarecimentos (sic).”

Penalidades

Segundo o advogado e especialista em Direito Penal, Milton Gonçalves, os casos de apoio a assassinatos podem ser classificados como crime de incitação à violência. A família da vereadora morta, também, pode requerer indenização por danos morais.

O Artigo 286, do Código Penal, classifica como apologia à violência o ato de incitar, publicamente, a prática de qualquer crime, com pena prevista de três a seis meses de detenção, ou multa.

Procurada, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) prometeu se pronunciar sobre o caso.



Reflexo da sociedade

Da Universidade Federal do Amazonas, o sociólogo da Carlos Santiago afirmou que, atualmente, o Brasil apresenta um perfil de país violento, preconceituoso com minorias e agressivo com grupos considerados frágeis.

Ele disse acreditar que o retrato disso é visto nas estatísticas, as quais mostram que o Brasil é campeão em crimes contra idosos e criança, que mais de 50 mil mulheres são estupradas por ano e, no mesmo período, quase 60 mil pessoas são mortas por brigas no trânsito.

“Isso tudo se reflete nessas postagens nas redes sociais. Pessoas que defendem a morte por ideologia política; defendem governantes que prometem matar. O que esse jovem fez é o reflexo da sociedade de hoje, onde o preconceito e a violência são regras”, conclui Santiago.




Contra milícias

O ativismo de Marielle era voltado ao combate à violência nas comunidades e a falta de segurança urbana. A vereadora também lutava pelas mulheres, tendo como foco as negras e lésbicas, mas tinha como maior desafio seu combate às milícias.

Conhecidas por exterminar, torturar, ameaçar, extorquir, lavar dinheiro e cometer uma série de outros crimes contra a população de comunidades, as milícias chegaram ao noticiário nacional e internacional nos últimos dias pelas mãos da família Bolsonaro.

Nesta semana, a operação “Os Intocáveis” da Polícia Civil e Ministério Público apontou que a mãe e a mulher do miliciano suspeito da morte de Marielle, o ex-capitão do Bope Adriano Magalhães, trabalharam no gabinete de Flávio.

O filho do presidente Bolsonaro já homenageou milicianos com a mais alta honraria do Poder Legislativo do Estado, a Medalha Tiradentes.


De Correio da Amazônia
Compartilhe no Google

Adenilton Cerqueira

Adenilton Cerqueira é diretor de conteúdo do Portal Black Brasil, curador digital e produtor de conteúdo especializado em questões étnicas. Bastante contestador ele é consciente do seu propósito e exerce sua liberdade por meio da escrita. Contato: revistaafrobahia@yahoo.com.br