Mortes e prostituição infantil: vem a público esquema comandado por políticos e PM em MG

Após assassinato de duas garotas no sábado (18) veio a público na grande mídia um esquema de prostituição infantil e adulta na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

As duas garotas foram mortas em um sítio em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, Minas Gerais. Uma tinha 16 anos, a outra 18.

A própria Polícia Civil aponta como um dos organizadores das festas o ex-candidato ao governo do Estado de Minas Gerais, Eduardo Ferreira de Souza, que concorreu pelo Partido Social Democrata Cristão (PSDC). Além do político, um tenente-coronel reformado da PM era frequentador assíduo dos locais da rede de prostituição e também é investigado.

Segundo a polícia, as garotas teriam se negado a ter relações sexuais com dois dos homens que estavam no sítio em Betim, e por isso foram torturadas por cerca de duas horas, mortas e depois tiveram seus corpos abandonados em diferentes pontos no caminho de Betim para Esmeraldas. Uma terceira garota, de 15 anos, fingiu estar morta após os disparos e conseguiu escapar.

Impunidade, hipocrisia e brutalidade machista

Além do sítio onde o grupo estava, pelo menos outros dois imóveis seriam usados como pontos de prostituição de adolescentes, de acordo com o próprio delegado da Polícia Civil. Mesmo assim, este esquema só foi descoberto devido aos assassinatos das jovens.

Este caso escancara a realidade da maior parte das atividades criminosas do Brasil: as polícias, os políticos e o judiciário trabalham em conjunto com criminosos comuns para enriquecer, ganhar poder e para cometer todo tipo de crimes. Neste caso, além do tenente-coronel reformado da PM e do político envolvidos, o delegado da Polícia Civil que investiga o caso afirmou à imprensa que “há também [outros] indivíduos influentes” envolvidos no esquema.

Enquanto a grande mídia, o judiciário e os políticos de direita querem convencer que este é um problema das “penas leves” e da “justiça lenta” do Brasil, a realidade é que as prisões estão cada vez mais superlotadas – em sua maioria de negros e pobres que nem foram julgados ou condenados por crimes leves – e os problemas sociais não encontram solução, porque têm sua raiz na desigualdade social e em instituições cheias de poder e privilégios sobre o restante da população, como é o caso das polícias e dos políticos, que “podem tudo” e se encorajam para fazer todo tipo de brutalidade.

Neste caso, o crime é ainda maior. As vítimas são adolescentes tão novas quanto a sobrevivente da tentativa de assassinato: 15 anos. No Brasil, especialmente na atual situação social com alto desemprego, salários cada vez mais baixos e educação precária, jovens que procuram uma saída na prostituição são um triste sintoma de uma sociedade que não dá um futuro à juventude. Com falta de opções, garotas se submetem a situações tão degradantes e perigosas como esta.

É preciso denunciar este caso e lutar contra a impunidade dos pequenos e dos grandes responsáveis por tamanha violência machista.

Com informações do Terra e do Estado de Minas.

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